Pássaros brancos
poema de W. B. Yeats | versão de Manuel A. Domingos
Quem me dera que fôssemos, amor, pássaros brancos sobre a espuma do mar! Estamos cansados da chama do cometa, antes de desaparecer e soçobrar; E dessa chama azul da estrela crepuscular, suspensa numa aresta de céu, Que nos nossos corações plantou, amor, uma tristeza que ainda não morreu. Húmido de orvalho chega o cansaço daqueles que sonharam com o lírio e a rosa; Ah, amor, não sonhes com eles nem com a chama do cometa que passa luminosa, Nem com a chama azul da estrela crepuscular suspensa em orvalho no seu apogeu; Quem me dera nos transformássemos em pássaros brancos na espuma errante: tu e eu! Sou assombrado por inúmeras ilhas, pelas muitas falésias de Dannan e a sua baía, Onde o Tempo de nós se esqueceria certamente e a Tristeza afastada estaria; Por instantes longe da rosa e do lírio e no meio das chamas ocuparíamos o nosso lugar, Se ao menos, amor, nós fôssemos pássaros brancos flutuando sobre a espuma do mar! em The Collected Poems, Wordsworth Editions, 2008, p. 33.


