Talho
poema de Charles Simic | versão de Manuel A. Domingos
Às vezes quando passeio noite fora Paro junto a um talho fechado. Há apenas uma luz acesa lá dentro Como a luz do condenado que cava o túnel. O avental pendurado num gancho: O sangue como um mapa Dos grandes continentes de sangue, Dos grandes rios e oceanos de sangue. Há facas a brilhar como altares Numa igreja sombria Onde levam aleijados e imbecis Para serem curados. Há uma tábua onde ossos são partidos, Limpos — um rio seco no seu leito Onde sou alimentado, Onde ouço uma voz noite fora. em Selected Poems: 1963-2003, Faber and Faber, 2004, p.3.


